sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Descarrilamento na Linha de Cascais (08-Fev-2013)

08/Fev/2013 10h00 - A circulação na Linha de Cascais encontra-se interrompida devido ao descarrilamento de dois comboios. O primeiro incidente aconteceu à entrada da estação de Algés (sentido Cascais-Lisboa), sendo que junto à curva do Mónaco (Caxias) descarrilou outro comboio.
Passageiros abandonam comboio em direcção à estação de Algés [foto Joel Bernardo]

 Comboio descarrilado junto a Caxias [foto Rodrigo Machado]



fotos de Gonçalo Magalhães @ facebook

08/Fev/2013 14h00 - in Correio da Manhã online
O presidente do sindicato dos maquinistas, António Medeiros, afirma que este Governo não tem feito investimento na linha de Cascais. E avança, em declarações ao Correio da Manhã, que "o material [de circulação] ultrapassou o tempo de vida útil”, sendo esta "uma situação conhecida de todos os responsáveis governamentais que nunca tomaram uma posição".

Também a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) denunciou a falta de investimento nas infraestruturas na linha de Cascais e exigiu esclarecimentos e a substituição urgente do material circulante.

"Sem querer adiantar as causas dos descarrilamentos hoje na linha de Cascais, para nós [Federação] há uma que está patente que é o desinvestimento naquela linha e que as organizações de trabalhadores há muito vêm chamando a atenção para situações como estas ou piores", adiantou à agência Lusa José Manuel Oliveira, da FECTRANS.

De acordo com José António Oliveira, não tem havido investimento nas infraestruturas nem no material circulante, que terá cerca de 50 anos, devido à contenção de custos por parte da CP.

"O material é muito antigo e, apesar de terem a cara lavada, as carruagens já esgotaram a sua vida útil de funcionamento, aliás, isso é reconhecido pelos anteriores presidentes da CP", disse o mesmo responsável, salientando que a linha de Cascais "é uma das mais dramáticas" do país.

Recorde-se ainda que a Linha de Cascais possui o material circulante suburbano mais antigo da CP. Em 2010, a empresa cancelou um concurso para a compra de novos comboios para este serviço, como resultado da crise.


Entretanto, os meios de socorro da REFER começaram depois das 12h00 os trabalhos de remoção das carruagens dos dois comboios que esta sexta-feira descarrilaram na linha de Cascais, sem previsão para a conclusão dos trabalhos, disse fonte da REFER.

"Os meios estão no local a trabalhar no sentido de retirar as composições da linha, mas não há previsões para a sua reabertura", disse fonte do gabinete de comunicação da REFER.

A Lusa constatou no local que há duas equipas da REFER no socorro às composições, uma das quais chegou a Algés às 12h15 com um comboio de socorro para fazer o carrilamento da composição, e outra equipa em Caxias.

Em Algés, mais de vinte elementos da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) e da REFER estão a trabalhar debaixo da carruagem que descarrilou.

Por seu lado, fonte da CP explicou à Lusa que os meios alocados para o local terão agora de fazer o carrilamento das composições acidentadas.

"O material é colocado novamente no carril e depois iremos apurar em que condição é que estará", explicou, confirmando que não há previsões para a conclusão dos trabalhos.



Recordo que em 02 de Maio de 2012 houve uma colisão entre dois comboios na Linha de Cascais.

08/02/2013 17h00 - in Jornal Público
O segundo comboio que na manhã desta sexta-feira descarrilou na Linha de Cascais, junto à estação de Algés, tinha um dos motores gripados o que provocava o bloqueio do boggie (conjunto de rodados sobre os quais assenta a carruagem). Nestas circunstâncias aquela parte da composição é - literalmente – arrastada ao longo dos carris porque as rodas não rodam sobre os mesmos, como, aliás, se pode constatar no local, em que a linha está desgastada.

Já em Paço de Arcos este comboio parara alguns minutos porque o maquinista fora avisado que um dos rodados vinha a deitar fumo. Mas mesmo depois desse boggie ter sido “desapertado”, continuou a deitar fumo o que indicia que, mecanicamente, as rodas continuaram presas.

Como a partir daí o comboio circulou em “regime de marcha à vista” (a velocidade não terá ultrapassado os 20 Km/hora), o descarrilamento em Algés não teve consequências de maior.

Já o comboio que descarrilou em Caxias e que vinha atrás deste não tinha, aparentemente, quaisquer problemas técnicos, mas poderá ter sido “vítima” do mau estado em que ficou uma agulha pela passagem da composição avariada que o precedia.

O que ali aconteceu é uma ocorrência estranhíssima e tecnicamente impossível no sistema ferroviário – o comboio está a passar por uma agulha que, de repente, muda de posição e uma parte da composição muda para a linha do lado.

Mais uma vez as consequências foram mínimas porque, como esta composição vinha a cantonar (significa que, sendo um comboio de marcha mais rápida, vinha a subordinar a sua marcha à do outro, que tinha paragem em todas as estações), a sua velocidade na altura do descarrilamento seria entre 10 a 20 Km/hora.

A mudança de uma agulha à passagem de um comboio não pode ocorrer por um erro humano, porque, tecnicamente, o sistema bloqueia esta operação enquanto o comboio não tiver passado em toda a sua extensão. Por isso, uma causa possível seria a lança da agulha estar entreaberta, eventualmente devido à passagem do comboio anterior que tinha um conjunto de rodados bloqueados e que poderiam ter forçado a agulha.

Estas são explicações que terão de ser dadas pela comissão de inquérito que, inevitavelmente, vai ser criada. O GISAF (Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Ferroviários), entidade independente que tem por missão descobrir as causas dos acidentes só existe no papel, pelo que terá de ser a Refer e a CP a elaborarem um relatório conjunto.

Ao que tudo indica, as responsabilidades pelos descarrilamentos serão partilhadas por ambas, dado que os dois descarrilamentos são resultado de uma infra-estrutura que necessita há muitos anos de modernização e de comboios que, tendo sido reabilitados nos anos noventa, são estruturalmente velhos de várias décadas.



08/02/2013 18h00 A circulação foi reposta numa das vias, com intervalos entre comboios de 20 minutos (fonte: www.cp.pt).

08/02/2013 22h00 A circulação restabelecida. (fonte: www.cp.pt).


Nota 1: este blog não representa qualquer organização, empresa ou tendência ferroviária. É apenas e só um espaço de opinião.
Nota 2: as fotos que ilustram este artigo estão identificadas com o nome do autor e quando aplicável, com a referência onde foram encontradas. 


Sem comentários:

Publicar um comentário