terça-feira, 11 de março de 2014

O comboio histórico na Linha da Beira-Baixa (Outubro 2002)

Em Outubro de 2002 a locomotiva a vapor 0186 traccionou o comboio histórico, entre Entroncamento e Vila Velha de Rodão. "Consta" que o objectivo era promover as viagens turisticas neste troço. 
Recordo que entre Entroncamento e Rodão a Linha da Beira-Baixa segue quase sempre junto ao rio Tejo. 

comentário do autor: "The CP 0186 takes on water in Abrantes. Abrantes, the 20th of October 2002"

comentário do autor: "The CP 0186 leaves with a mixed train the station of Belver. Belver, the 20th of October 2002"

comentário do autor: "The CP 0186 after the arrival in Vila Velha de Ródão. Vila Velha de Ródão, the 20th of October 2002"

comentário do autor: "The CP 0186 with a mixed train on it's way back to Entroncamento. Gardete, the 21th of October 2002"



Nota 1: este blog não representa qualquer organização, empresa ou tendência ferroviária. É apenas e só um espaço de opinião.
Nota 2: as fotos que ilustram este artigo estão identificadas com o nome do autor e quando aplicável, com a referência onde foram encontradas.

sábado, 1 de março de 2014

Metro de Lisboa - Sempre em Greve II


Notícia de 02 de Novembro de 2006:

"Salário de 2500 euros por 3 horas de condução

Os maquinistas do Metropolitano de Lisboa recebem, em média, cerca de 2500 euros ilíquidos mensais por três horas diárias de condução de passageiros. Trata-se da classe profissional mais numerosa na empresa Metro de Lisboa, que paga ordenados acima dos mil euros a todos os seus trabalhadores, apurou o Correio da Manhã.

O facto de trabalharem no subsolo é uma das principais razões, de acordo com fontes do sector, para o valor dos salários pagos pelo Metropolitano de Lisboa, dos mais elevados nos transportes públicos e bastante acima da média nacional, que se situa nos 804 euros por mês.

Com efeito, o leque salarial ilíquido das 57 categorias varia entre os mil e os três mil e quinhentos euros, já que aos salários base tem de se somar uma componente variável, que vai desde os subsídios de alimentação até ao de turno, passando por prémios de assiduidade e de desempenho.

Os horários de trabalho semanal variam, entre as 22h30 (enfermeiros) e as 39 horas (serralheiros, mecânicos), embora a média se situe nas 36 horas.
Os maquinistas constituem, entre os cerca de 1700 trabalhadores da empresa, a classe profissional mais numerosa, com 270 profissionais, sendo também uma das que aufere os salários mais elevados, segundo o um estudo realizado pelo Metro.

Recebem, para além do salário base, subsídios de trabalho nocturno, subsídio de turno e subsídio de agente único (ao substituírem a antiga categoria de factor, responsável pela abertura e fecho das portas), entre outros.
Com uma média etária em torno dos 40 anos e com pelo menos o 9.º ano, os maquinistas do metro transportam passageiros, no máximo, três horas por dia. Ou seja, metade do tempo de um maquinista da CP ou da Carris.

O tempo restante do turno diário – de sete horas e meia, em virtude de terem um regime de folgas de quatro dias de trabalho e dois de paragem – é dedicado a manobras ou a levar comboios para manutenção ou reparação.
“É um trabalho monótono, muito desgastante, em que estamos o dia inteiro a respirar limalha de ferro”, explicou ao Correio da Manhã Diamantino Lopes, maquinista e dirigente da Federação dos Sindicatos dos Transportes Rodoviários e Urbanos (FESTRU).
É frequente, por isso, os maquinistas não continuarem a trabalhar no subsolo depois dos 55 anos, dado sofrerem de problemas de saúde, relacionados com a visão e audição.

GREVES PELO ACORDO
As cinco greves feitas pelos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, assim como as próximas do dia 7 e 9 de Novembro, foram convocadas face à recusa do conselho de administração em aceitar prolongamento do actual Acordo de Empresa. O documento, com cerca de 30 anos, termina em Dezembro do próximo ano, mas os sindicatos pretendem que se estenda até 2011. Neste momento a administração do Metro encontra-se numa fase de transição, uma vez que o actual conselho, liderado por Mineiro Aires, já terminou o seu mandato mas o próximo, presidido por Joaquim Reis, ainda não tomou posse. Ao todo, são oito os sindicatos envolvidos nas negociações com a empresa, entre os quais os sindicatos dos Electricistas do Metropolitano e o dos Quadros Técnicos de Desenho.
 
APONTAMENTOS
PASSAGEIROS
O Metropolitano de Lisboa transporta diariamente perto de meio milhão de passageiros para 48 destinos possíveis de quatro linhas subterrâneas com uma extensão total de 35,6 quilómetros.

CARRUAGENS
No final de 2005 o Metro de Lisboa tinha 338 carruagens em operação que circulam com um intervalo médio de dez minutos, variando ao longo do dia e nas várias linhas do serviço. Os comboios iniciam marcha às 6h30 e só param de madrugada, à 01h00.

NÍVEL SALARIAL
O nível salarial do Metropolitano de Lisboa é o segundo mais elevado da Europa. Só os funcionários do sistema subterrâneo de comboios de Viena de Áustria ganham mais do que os trabalhadores do Metro da capital portuguesa.

FACTORES
A categoria de factor desapareceu em 1995, a função destes trabalhadores era abrir e fechar as portas do comboio a cada paragem. A tarefa foi assumida pelos maquinistas que para isso recebem um subsídio que varia entre 317 euros e 475,50 euros mensais.

METRO: DOIS TURNOS
Os maquinistas do Metro de Lisboa trabalham três horas diárias, em dois turnos, no mesmo dia. Cada dia de trabalho está dividido em dois períodos “que não podem exceder as três horas seguidas por motivos de segurança”, explica um comunicado da FESTRU em reacção à notícia publicada pelo CM.
Os maquinistas do metropolitano cumprem, ainda, “no resto de cada período, as manobras com o material circulante nos términos e nos parques”, lê-se no comunicado. O sindicato sublinha que o que está em causa é a existência do acordo da empresa."

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Barragem da Foz do Tua - a destruição

As imagens que se seguem são extremamente violentas. Mostram a destruição provocada pela construção da Barragem da Foz do Tua, uma teimosia de um certo governante. A energia produzida por esta barragem representa apenas 1% do total da energia produzida em Portugal.




quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Composição do Metro de Lisboa descarrila na estação do Campo Grande


Notícia RR:

"Metro de Lisboa investiga comboio que não parou em sinais vermelhos

Composição fazia uma manobra de arrumação e não transportava passageiros. Administração lembra que o Metro de Lisboa é dos mais seguros do mundo, tendo registado apenas dez acidentes com descarrilamentos ao longo dos seus 55 anos.

O Metropolitano de Lisboa abriu um inquérito a um acidente que ocorreu na noite de dia 12 no acesso à Estação do Campo Grande. Ao que a Renascença apurou, a composição saía do parque de máquinas e oficinas não conseguiu obedecer a dois sinais vermelhos, no troço à superfície, descarrilou e apenas se imobilizou à entrada da estação.

A empresa confirma o acidente e explica que se tratava de um comboio que fazia uma manobra de arrumação, não transportava passageiros e o incidente ocorreu sob condições meteorológicas muito adversas. Ou seja, terá sido provocado pela chuva.

Ainda assim, o Metro de Lisboa garante que já nomeou uma comissão de inquérito para identificar as causas e tomar medidas para evitar novos casos. Para já, determinou a redução da velocidade naquele troço de 20 para 10 km/hora.

A administração sublinha ainda que o Metro de Lisboa é dos mais seguros do mundo, tendo registado apenas dez acidentes com descarrilamentos ao longo dos seus 55 anos, sem consequências graves e na maior parte dos casos, em comboios sem passageiros.

A Renascença questionou também a ocorrência cada vez mais frequente e quase diária de perturbações e atrasos na circulação, assim como a menor frequência de comboios. Em resposta, a empresa diz que não está relacionado com questões de segurança e atribui as culpas aos sindicatos, pelos sucessivos plenários de trabalhadores que marcam.

Acusações que as organizações sindicais dos trabalhadores, já contactadas, rejeitam. Quanto ao acidente, aguardam o resultado do inquérito interno para se pronunciarem."


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Privatização da Carris/ML I

fonte: CEC

O IMTT publicou um documento de consulta sobre a concessão/privatização da Carris e do Metropolitano de Lisboa.
Não sendo um tema pacífico, é de esperar que a CGTP venha para a rua, com as já habituais greves de transportes e que os clientes se vejam, mais uma vez, envolvidos numa luta onde não têm voz activa.
A FERTAGUS, concessionária das ligações ferroviárias entre Lisboa e Setúbal, presta um serviço de excelente qualidade, com uma oferta bem dimensionada, por um preço bastante atractivo. No Porto, o Metro do Porto, gerido por uma empresa privada, mantém niveis muito elevados de satisfação dos clientes, proporcionando regularidade e comodidade nas deslocações diárias.

Em Lisboa, o serviço da Carris está desajustado à realidade, sendo necessários reforços onde existe maior procura e cortes onde a oferta é excedentária. Nos últimos 20 anos, a população residente na cidade diminuiu, fazendo com que o transporte público seja utilizado maioritariamente por trabalhadores, residentes nas periferias.

Eu não defendo a privatização ou a continuação do actual modelo, defendo sim, um transporte público de qualidade, com regularidade, conforto e moderno, mas a um preço comportável para o cliente, quer de forma directa, quando paga o seu título de transporte, quer de forma indirecta, na parcela dos seus impostos que é utilizada para pagar "mordomias de luxo" aos funcionários e administrações destas empresas.


Nota 1: este blog não representa qualquer organização, empresa ou tendência ferroviária. É apenas e só um espaço de opinião.
Nota 2: as fotos que ilustram este artigo estão identificadas com o nome do autor e quando aplicável, com a referência onde foram encontradas.



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Linha do Douro - descarrilamento junto à estação de Mosteirô (04-02-2014)



 (a imagem ilustra uma automotora da série 0300 a passar na ponte dos Oito Arcos, Covilhã)

Comboio descarrila na Linha do Douro depois de talude ceder

Acidente ocorreu em Baião e não causou feridos. Os cerca de cinquenta passageiros tiveram de caminhar quase um quilómetro até à estação de Mosteirô.

Um comboio com cerca de 50 passageiros descarrilou nesta terça-feira na Linha do Douro, em Baião, devido a um talude ter cedido, sem causar feridos, segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto.

O acidente ocorreu no sentido Régua-Porto, pelas 18h09, e levou a que os bombeiros locais e a Protecção Civil de Baião fossem mobilizados para o local de modo a conduzir as pessoas pela linha até à estação de Mosteirô, a 900 metros do sucedido.
De acordo com a mesma fonte do CDOS do Porto, os passageiros foram depois transportados para os seus destinos por meios alternativos.
Contactada pelo PÚBLICO, a porta-voz da CP assegurou que não há qualquer dano pessoal decorrente do acidente cujas causas exactas ainda desconhecia por volta das 20h05. A mesma fonte admitiu que o comboio seja recolocado na via nas próximas horas, de modo a normalizar a circulação naquele troço onde foi necessário, no resto do dia, recorrer a transbordos para serviços rodoviários de apoio.
A Refer, também contactada pelo PÚBLICO, confirmou que a normalidade será reposta dentro de poucas horas. Segundo Susana Abrantes, a porta-voz desta empresa responsável pela infra-estrutura, a recolocação da carruagem na linha não deve ser uma operação particularmente difícil, dado que o comboio não chegou a tombar, tendo-se registado apenas a saída do carril de um boggie, um eixo. A Lusa noticiou entretanto que a circulação de comboios deverá ser restabelecida nesta quarta-feira de manhã.
A chuva intensa dos últimos dias terá estado na origem do deslizamento de terras que, ainda segundo a porta-voz da Refer, provocou o descarrilamento. Às 20h, o comboio de socorro da EMEF (Empresa de Manutenção do Equipamento Ferroviário) estava a caminho do local.
No dia 16 de Janeiro, outro deslizamento de terras provocou o descarrilamento de um comboio utilizado pela Refer, também na Linha do Douro mas na zona de Marco de Canaveses, num acidente que então deixou feridos quatro funcionários da empresa.
in Publico


Restabelecida a circulação na Linha do Douro
Um descarrilamento obrigou à suspensão da circulação ferroviária no troço Aregos/Mosteirô. Seguiam 50 pessoas a bordo, mas não houve feridos.


A circulação de comboios na Linha do Douro foi restabelecida esta quarta-feira pelas 5h00, depois de ter estado interrompida no troço entre Aregos e Mosteirô, devido a um descarrilamento.

Fonte da Refer garantiu à agência Lusa que o dia deve decorrer sem "quaisquer anomalias".

A circulação foi interrompida na terça-feira à tarde na sequência de um descarrilamento provocado por um aluimento de terras, que obrigou os passageiros do comboio a serem transportados por meios alternativos.

O acidente ocorreu no sentido Régua-Porto, pelas 18h09, e mobilizou bombeiros e a Protecção Civil de Baião ao local, de modo a conduzir as pessoas pela linha até à estação de Mosteirô, situada a 900 metros.

in RR



sábado, 1 de fevereiro de 2014

A Máquina - 1878-1914

Em 2014 comemora-se o 100º aniversário do desaparecimento do que se pode considerar os primórdios do metro de superfície da cidade do Porto. Ficou popularmente conhecida como "A Maquina".

"A “máquina” na rua de N.ª Sr.ª da Luz na Foz do Douro"

A linha, que ligava a rotunda da Boavista a Matosinhos, foi inaugurada em 1878 era explorada pela Companhia dos Carris de Ferro do Porto.
A máquina, movida pela energia do carvão e água - vapor - rebocava duas ou três carruagens de passageiros.

Partia da rotunda da Boavista, seguindo pela avenida com o mesmo nome até sensivelmente à Fonte do Moura, onde flectia à esquerda, pela actual Rua Correia de Sá. No cruzamento com a rua de Tânger, existia um viaduto, cujos vestígios são hoje ainda visíveis, num dos lados desta artéria.

No seu trajecto em direcção á foz, a Máquina cruzava os Campos da Ervilha. Aqui decorreram algumas das principais batalhas do Cerco do Porto, disputa entre liberais e absolutistas, que durou entre Julho de 1832 e Agosto de 1833.
Dos Campos da Ervilha, a linha seguia em direcção à foz do Douro, cruzando terrenos destinados à futura Av. D. Pedro IV. 

Junto à Foz do Douro a Maquina tinha a sua principal paragem, no Largo de Cadouços, onde existia uma toma de água, destinada a alimentar A Máquina.



"“A Máquina a Vapor da C.C.F.P.” - Colecção Particular /Museu do Carro Eléctrico.
Cf. MARTINS, Fernando Pinheiro, O Carro Eléctrico na Cidade do Porto –Dissertação de Mestrado- FEUP 2007"


Daqui, o seu percurso para Matosinhos seguia pela Rua do Túnel, um dos vestígios mais importantes desta linha ferroviária. 

Este túnel foi construído por baixo do monte da Sra. da Luz, onde outrora existiu um importante farol para a nevegação.

A linha prosseguia pela Rua de Gondarém, passando pelo Castelo do Queijo em direcção à actual Rua Brito Capelo, onde terminava, na margem do Rio Leça.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Metro do Porto vs. Metro de Lisboa (as greves e os seus efeitos)

Ao ler algumas notícias publicadas nos últimos dias na imprensa, questiono-me sobre que diferença existe entre os trabalhadores do Metro do Porto e do Metro de Lisboa. No Porto, não há conflitos laborais, não há greves semana-sim-semana-sim, e os números mostram que há cada vez mais passageiros a escolher este meio de transporte.

Em Lisboa, onde os trabalhadores do Metro de Lisboa lutam contra o governo mas prejudicando exclusivamente o passageiro, verifica-se uma diminuição acentuada de clientes neste meio de transporte.

Sendo assim, transcrevo para aqui algumas notícias que nos podem levar a uma reflexão sobre os impactos das sucessivas greves no quotidiano dos Lisboetas e Portuenses.


"Greves estão a criar efeito negativo na procura de transporte público"
Luís Cabaço Martins, presidente da ANTROP e administrador do grupo Barraqueiro, considera que as empresas privadas de transportes são mais eficazes a gerir os conflitos laborais do que as públicas.

O elevado número de greves está a gerar desconfiança entre os utentes e mesmo o seu afastamento dos transportes públicos, afirma o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP).

“O que me parece relevante nesta questão das greves, e dada a sua frequência e persistência, é o efeito negativo que se cria na procura de transporte público”, diz Luís Cabaço Martins, em entrevista à Renascença.

“Acho que o Governo, quando é responsável directamente pela gestão das empresas públicas, e é nessa componente que me referia, deve ponderar seriamente as suas opções políticas de modo a não criar, por si próprio, efeitos acrescidos de afastamento das pessoas”, sublinha o também administrador do grupo Barraqueiro.

Para Luís Cabaço Martins, as empresas privadas de transportes são mais eficazes a gerir os conflitos laborais do que as públicas.

O presidente da ANTROP aponta o dedo à reestruturação do sector empresarial do Estado feita pelo Governo em 2011, que tem gerado inúmeros protestos e greves dos trabalhadores.

À margem da conferência sobre a mobilidade e as pessoas, organizada esta quarta-feira pela Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, Luís Cabaço Martins defendeu a passagem deste serviço público para as mãos dos privados.

“Eu penso que, pelo menos, poderíamos ter oportunidade de provar que o sector privado, tradicionalmente, consegue gerir melhor, de forma talvez mais flexível, mais aberta, sem ter constrangimentos políticos, de calendário político.”

Na opinião de Luís Cabaço Martins, “o empresariado privado tem mais oportunidade de encontrar consensos e equilíbrios, porque não está constrangido com nenhum tipo de pressão política, ao contrário do que acontece com as empresas públicas que, muitas vezes, quando existem conflitos, existe uma confusão institucional”.

Ou seja, conclui, “muitas vezes existe conflito entre as opções de gestão do próprio empresário público e o Governo, que muitas vezes avoca para si a gestão dessas questões sociais”.
fonte: RR



"De todas as greves nos transportes, nenhuma parou na Metro do Porto

Uma cultura importada do privado e os impactos reduzidos que teria uma paralisação fazem da empresa do Estado caso único num sector onde as greves se têm sucedido sem travão.
Só nos últimos dois anos e meio, houve mais de 500 dias com greves no sector dos transportes públicos, da CP à Transtejo. Nesta quinta-feira, a Metro de Lisboa volta a sofrer constrangimentos fruto de uma paralisação parcial que tem vindo e irá repetir-se uma vez por semana em 2014, enquanto sindicatos e empresa não chegarem a um entendimento. Mas, a norte, há uma transportadora do Estado que não conhece os impactos destes protestos. Por que razão, nos mais de 11 anos de existência, nunca houve uma única greve específica da Metro do Porto?

Há mais do que uma resposta a esta pergunta, mas a grande justificação parece ser o modelo de funcionamento da empresa. Subconcessionada a privados desde que colocou a primeira composição em movimento regular, em 2002, a transportadora tem escapado sempre ilesa às múltiplas paralisações sectoriais pelo facto de a grande maioria dos trabalhadores (cerca de 300 de um total de 400) estar vinculada não à Metro do Porto, enquanto empresa pública, mas sim ao consórcio que gere a operação. Essa responsabilidade está hoje com a Viaporto, detida pelo grupo Barraqueiro, Arriva, Keolis e Manvia e cujo contrato termina este ano.

É “um modelo de negócio que facilita a eficácia e a fiabilidade e obvia os constrangimentos que vão caracterizando os operadores públicos”, afirmou João Velez Carvalho, presidente da empresa desde meados de 2012. Ao estarem integrados na Viaporto, os trabalhadores não ficam sujeitos às medidas que estão na base da contestação do sector, como as reduções salariais impostas pelo Governo. Além disso, “há elevados requisitos de exigência por parte do concessionário, que criam uma cultura diferente” dentro da transportadora, explicou Nuno Ortigão, que pertence à Comissão de Trabalhadores (CT).

A própria criação deste órgão é reveladora dessa cultura. Aquando das eleições, há cerca de dois anos, os trabalhadores preteriram a lista formada por funcionários ligados a sindicatos para elegerem uma CT que tem como membros um director, um quadro superior e um administrativo. Uma eventual fuga “à agenda política”, referiu Nuno Ortigão, que está na Metro do Porto desde 2001 e é director de operação com a vertente comercial. Antes, tinha sido quadro da STCP, empresa pública rodoviária do Porto, e trabalhado para o sector privado, na Sonae.

Dos cerca de 85 trabalhadores que pertencem à Metro do Porto, pouco mais de uma dezena são sindicalizados. Nas estruturas sindicais que representam o sector, lamenta-se a ausência da empresa nas acções de luta. José Manuel Oliveira, coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, afirmou que “gostariam que todos os trabalhadores se identificassem com o que está a ser feito”, mas admitiu que, mesmo existindo adesão, os impactos seriam reduzidos.

É que a outra resposta à pergunta reside no facto de os funcionários que estão integrados na empresa pública, além de poucos, serem maioritariamente quadros técnicos e não operacionais. “Se pararem, ninguém nota”, referiu o sindicalista. Nuno Ortigão concorda que este é um dos motivos pelos quais a Metro do Porto nunca foi afectada por greves. E adianta que, mesmo com uma adesão de 100%, “estariam todos no terreno, a ver se a operação funciona” só porque “foram educados dessa forma”.

A sabotagem
Existe, na transportadora pública, esta atitude. Que também é muito mais pelo diálogo do que pela paralisação. “Preferimos sempre a via intelectual à força irreflectida”, explicou o membro da CT, acrescentando que essa opção prevalecerá mesmo se os planos de reestruturação da empresa, que deveriam ter sido postos em marcha no ano passado e têm implícita uma redução de 50% dos quadros de pessoal, avançarem. Nuno Ortigão critica, sobretudo, “a paralisação a que se assiste no projecto da empresa”, considerado que, no sector dos transportes, a actuação do Governo “tem sido um fracasso total”.

As bases da criação da Metro do Porto já têm duas décadas, quando em 1994 foi lançado o concurso público para construção e operação do sistema, mas a empresa só recebeu o primeiro veículo da frota sete anos depois. Desde que a operação arrancou, tem sofrido impactos com as greves gerais. Houve, porém, um episódio que marcou a história da transportadora e ainda corre na Justiça. Durante uma greve geral, em Maio de 2007, o sistema de comunicações foi sabotado, obrigando a suspender parcialmente a circulação. Ainda hoje estão por encontrar os responsáveis.

Ainda em 2008, a convocação de uma greve na Transdev, que era o concessionário antes da Viaporto, teve uma adesão que o Sindicato dos Maquinistas assegurou chegar aos 100%. No entanto, a empresa garantiu, na altura, que o serviço decorreu "sem precalços", em declarações à Lusa.

O conselho de administração da empresa, que em 2012 se fundiu operacionalmente com a STCP, diz que “tem sido prioridade promover a cooperação e o envolvimento”, quando questionado sobre os esforços feitos para manter a paz social. A Fectrans confirma que, para lá das medidas impostas pelo Governo aos trabalhadores directos da Metro do Porto, não tem havido conflitos de maior com o concessionário.

Aliás, as negociações para revisão do acordo de empresa começaram quarta-feira, com os sindicatos a assegurarem que, faltando consenso, o recurso à greve “será a última possibilidade”. José Manuel Oliveira referiu ainda que, mesmo os funcionários que estão vinculados à transportadora do Estado, são “pessoas que, por serem quadros técnicos, têm um suporte financeiro diferente que lhes permite encarar com maior facilidade os efeitos dos cortes” no Estado.

Do lado do Governo, a singularidade da transportadora pública no que toca a paralisações tem sido aproveitada para dar força ao argumento de que são os sucessivos protestos que têm levado à redução de passageiros nos transportes públicos, a par da fraude. Outras razões como os aumentos tarifários e a diminuição da mobilidade por causa das elevadas taxas de desemprego têm sido deixadas para segundo plano.

Ao contrário do que aconteceu nas restantes empresas do sector, 2013 foi um ano de crescimento de tráfego para a Metro do Porto. Dados cedidos pela empresa mostram que foram transportados 55,9 milhões de passageiros, o que significou uma subida homóloga de 2,6%. Já na STCP, a tendência de queda manteve-se, com a procura a descer 7,5% para um total de 78,5 milhões de pessoas transportadas.

A transportadora pública tem estado, como todo o sector, sob o fogo da austeridade. E, apesar de registar uma melhoria nos resultados operacionais, continua a acumular prejuízos elevados, que atingiram 50,3 milhões de euros até Setembro, e um endividamento de 3200 milhões. Este fardo deve-se, em grande parte, aos encargos financeiros associados ao financiamento que foi obrigava a contrair para suportar obra do Estado.


Notícia actualizada: Foi acrescentado um parágrafo sobre a paralisação na Transdev, em 2008, e clarificado que, em situações de greve geral, a operação da Metro do Porto tem sofrido impactos. "
fonte: Publico


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Estado d'Alma IX

Escrevo estas linhas no dia em que foi divulgado, pela comunicação social, o relatório elaborado por um grupo de trabalho nomeado pelo governo, para elencar os grandes investimentos para os próximos anos.
Olhando para o que foi publicado, sobressai o desinteresse nas auto-estradas do Alentejo, no Ramal da Lousã e na ligação Covilhã-Guarda.

Eis a lista dos 30 projectos prioritários:

1º Ampliação do terminal de contentores do porto de Leixões (Investimento: 38 milhões de euros)

2º Conclusão do plano de modernização da Linha do Norte (Investimento: 400 milhões de euros)

3º Expansão do Terminal de Contentores XXI do porto de Sines (Investimento: 139 milhões de euros)

4º Melhoria da acessibilidade marítima e optimização de fundos do porto se Setúbal (Investimento: 25 milhões de euros)

5º Conclusão da obra do Túnel do Marão (Investimento: 173 milhões de euros)

6º Novo terminal de contentores do porto de Leixões (Investimento: 200 milhões de euros)

7º Novo terminal de contentores do porto de Lisboa (Investimento: 600 milhões de euros)

8º Novo terminal de cruzeiros do porto de Leixões (Investimento: 12 milhões de euros)

9º Novo terminal de carga no aeroporto de Lisboa (Investimento: 5 milhões de euros)

10º Modernização dos troços ferroviários entre Aveiro e Vilar Formoso (Investimento: 900 milhões de euros)

11º Novo terminal de cruzeiros em Lisboa (Investimento: 25,2 milhões de euros)

12º Aumento da eficiência dos actuais terminais de contentores de Alcântara (Investimento: 46,6 milhões de euros)

13º Entrada de navios de maior dimensão no porto de Aveiro (Investimento: 1 milhão de euros)

14º Plataforma logística do porto de Leixões (Investimento: 180 milhões de euros)

15º Zona de actividades logísticas e expansão do polo de Cacia em Aveiro (Investimento: 53,9 milhões de euros)

16º Obras de correcção do traçado na foz dos rios Tua e Sabor (Investimento: 50 milhões de euros)

17º Modernização e electrificação da linha do Minho (Investimento: 145 milhões de euros)

18º Expansão do terminal ro-ro do porto de Setúbal (Investimento: 3,5 milhões de euros)

19º Melhoria das condições operacionais dos terminais do porto de Aveiro (Investimento: 3,5 milhões de euros)

20º Melhoria do acesso marítimo e instalações nos portos de Portimão e Faro (Investimento: 55 milhões de euros)

21º Intervenções nas eclusas no Douro (Investimento: 24 milhões de euros)

22º Construção do IP3 entre Coimbra e Viseu (Investimento: 600 milhões de euros)

23º Modernização da linha de Cascais (Investimento: 160 milhões de euros)

24º Modernização e electrificação da Linha do Sul (Investimento: 20 milhões de euros)

25º Linha ferroviária Évora-Caia/Badajoz no âmbito das ligações ao porto de Sines (Investimento: 1000 milhões de euros)

26º Modernização e electrificação da Linha do Algarve (Investimento: 55 milhões de euros)

27º Reformulação e integração dos terminais de carga nos aeroportos nacionais (Investimento: 5 milhões de euros)

28º Reactivação do cais da Siderurgia Nacional (terminal do Seixal) (Investimento: 6 milhões de euros)

29º Modernização e electrificação da Linha do Oeste (Investimento: 135 milhões de euros)

30º Aprofundamento da barra, canal e bacia do porto da Figueira da Foz (Investimento: 25 milhões de euros)

sábado, 25 de janeiro de 2014

Indice de 25-01-2014


Infraestruturas-Linhas e Ramais:
 
Infraestruturas-Projectos inconcluídos:
 
- Lousã (ex-ramal ferroviário)
 
- Minho:
 
- Oeste:

- Vouga:
 
Linha de Sintra - o fenómeno


PTG:
 
 
Nota 1: este blog não representa qualquer organização, empresa ou tendência ferroviária. É apenas e só um espaço de opinião.
Nota 2: as fotos que ilustram este artigo estão identificadas com o nome do autor e quando aplicável, com a referência onde foram encontradas.