As imagens que se seguem são extremamente violentas. Mostram a destruição provocada pela construção da Barragem da Foz do Tua, uma teimosia de um certo governante. A energia produzida por esta barragem representa apenas 1% do total da energia produzida em Portugal.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Composição do Metro de Lisboa descarrila na estação do Campo Grande
Notícia RR:
"Metro de Lisboa investiga comboio que não parou em sinais vermelhos
Composição fazia uma manobra de arrumação e não transportava passageiros. Administração lembra que o Metro de Lisboa é dos mais seguros do mundo, tendo registado apenas dez acidentes com descarrilamentos ao longo dos seus 55 anos.
O Metropolitano de Lisboa abriu um inquérito a um acidente que ocorreu na noite de dia 12 no acesso à Estação do Campo Grande. Ao que a Renascença apurou, a composição saía do parque de máquinas e oficinas não conseguiu obedecer a dois sinais vermelhos, no troço à superfície, descarrilou e apenas se imobilizou à entrada da estação.
A empresa confirma o acidente e explica que se tratava de um comboio que fazia uma manobra de arrumação, não transportava passageiros e o incidente ocorreu sob condições meteorológicas muito adversas. Ou seja, terá sido provocado pela chuva.
Ainda assim, o Metro de Lisboa garante que já nomeou uma comissão de inquérito para identificar as causas e tomar medidas para evitar novos casos. Para já, determinou a redução da velocidade naquele troço de 20 para 10 km/hora.
A administração sublinha ainda que o Metro de Lisboa é dos mais seguros do mundo, tendo registado apenas dez acidentes com descarrilamentos ao longo dos seus 55 anos, sem consequências graves e na maior parte dos casos, em comboios sem passageiros.
A Renascença questionou também a ocorrência cada vez mais frequente e quase diária de perturbações e atrasos na circulação, assim como a menor frequência de comboios. Em resposta, a empresa diz que não está relacionado com questões de segurança e atribui as culpas aos sindicatos, pelos sucessivos plenários de trabalhadores que marcam.
Acusações que as organizações sindicais dos trabalhadores, já contactadas, rejeitam. Quanto ao acidente, aguardam o resultado do inquérito interno para se pronunciarem."
Composição fazia uma manobra de arrumação e não transportava passageiros. Administração lembra que o Metro de Lisboa é dos mais seguros do mundo, tendo registado apenas dez acidentes com descarrilamentos ao longo dos seus 55 anos.
O Metropolitano de Lisboa abriu um inquérito a um acidente que ocorreu na noite de dia 12 no acesso à Estação do Campo Grande. Ao que a Renascença apurou, a composição saía do parque de máquinas e oficinas não conseguiu obedecer a dois sinais vermelhos, no troço à superfície, descarrilou e apenas se imobilizou à entrada da estação.
A empresa confirma o acidente e explica que se tratava de um comboio que fazia uma manobra de arrumação, não transportava passageiros e o incidente ocorreu sob condições meteorológicas muito adversas. Ou seja, terá sido provocado pela chuva.
Ainda assim, o Metro de Lisboa garante que já nomeou uma comissão de inquérito para identificar as causas e tomar medidas para evitar novos casos. Para já, determinou a redução da velocidade naquele troço de 20 para 10 km/hora.
A administração sublinha ainda que o Metro de Lisboa é dos mais seguros do mundo, tendo registado apenas dez acidentes com descarrilamentos ao longo dos seus 55 anos, sem consequências graves e na maior parte dos casos, em comboios sem passageiros.
A Renascença questionou também a ocorrência cada vez mais frequente e quase diária de perturbações e atrasos na circulação, assim como a menor frequência de comboios. Em resposta, a empresa diz que não está relacionado com questões de segurança e atribui as culpas aos sindicatos, pelos sucessivos plenários de trabalhadores que marcam.
Acusações que as organizações sindicais dos trabalhadores, já contactadas, rejeitam. Quanto ao acidente, aguardam o resultado do inquérito interno para se pronunciarem."
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Privatização da Carris/ML I
fonte: CEC
O IMTT publicou um documento de consulta sobre a concessão/privatização da Carris e do Metropolitano de Lisboa.
Não sendo um tema pacífico, é de esperar que a CGTP venha para a rua, com as já habituais greves de transportes e que os clientes se vejam, mais uma vez, envolvidos numa luta onde não têm voz activa.
A FERTAGUS, concessionária das ligações ferroviárias entre Lisboa e Setúbal, presta um serviço de excelente qualidade, com uma oferta bem dimensionada, por um preço bastante atractivo. No Porto, o Metro do Porto, gerido por uma empresa privada, mantém niveis muito elevados de satisfação dos clientes, proporcionando regularidade e comodidade nas deslocações diárias.
Em Lisboa, o serviço da Carris está desajustado à realidade, sendo necessários reforços onde existe maior procura e cortes onde a oferta é excedentária. Nos últimos 20 anos, a população residente na cidade diminuiu, fazendo com que o transporte público seja utilizado maioritariamente por trabalhadores, residentes nas periferias.
Eu não defendo a privatização ou a continuação do actual modelo, defendo sim, um transporte público de qualidade, com regularidade, conforto e moderno, mas a um preço comportável para o cliente, quer de forma directa, quando paga o seu título de transporte, quer de forma indirecta, na parcela dos seus impostos que é utilizada para pagar "mordomias de luxo" aos funcionários e administrações destas empresas.
Nota 1: este blog não representa qualquer organização, empresa ou tendência ferroviária. É apenas e só um espaço de opinião.
Nota 2: as fotos que ilustram este artigo estão identificadas com o nome do autor e quando aplicável, com a referência onde foram encontradas.
Nota 2: as fotos que ilustram este artigo estão identificadas com o nome do autor e quando aplicável, com a referência onde foram encontradas.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Linha do Douro - descarrilamento junto à estação de Mosteirô (04-02-2014)
(a imagem ilustra uma automotora da série 0300 a passar na ponte dos Oito Arcos, Covilhã)
Comboio descarrila na Linha do Douro depois de talude ceder
Acidente ocorreu em Baião e não causou feridos. Os cerca de cinquenta passageiros tiveram de caminhar quase um quilómetro até à estação de Mosteirô.
Um comboio com cerca de 50 passageiros descarrilou nesta terça-feira na Linha do Douro, em Baião, devido a um talude ter cedido, sem causar feridos, segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto.
O acidente ocorreu no sentido Régua-Porto, pelas 18h09, e levou a que os bombeiros locais e a Protecção Civil de Baião fossem mobilizados para o local de modo a conduzir as pessoas pela linha até à estação de Mosteirô, a 900 metros do sucedido.
De acordo com a mesma fonte do CDOS do Porto, os passageiros foram depois transportados para os seus destinos por meios alternativos.
Contactada pelo PÚBLICO, a porta-voz da CP assegurou que não há qualquer dano pessoal decorrente do acidente cujas causas exactas ainda desconhecia por volta das 20h05. A mesma fonte admitiu que o comboio seja recolocado na via nas próximas horas, de modo a normalizar a circulação naquele troço onde foi necessário, no resto do dia, recorrer a transbordos para serviços rodoviários de apoio.
A Refer, também contactada pelo PÚBLICO, confirmou que a normalidade será reposta dentro de poucas horas. Segundo Susana Abrantes, a porta-voz desta empresa responsável pela infra-estrutura, a recolocação da carruagem na linha não deve ser uma operação particularmente difícil, dado que o comboio não chegou a tombar, tendo-se registado apenas a saída do carril de um boggie, um eixo. A Lusa noticiou entretanto que a circulação de comboios deverá ser restabelecida nesta quarta-feira de manhã.
A chuva intensa dos últimos dias terá estado na origem do deslizamento de terras que, ainda segundo a porta-voz da Refer, provocou o descarrilamento. Às 20h, o comboio de socorro da EMEF (Empresa de Manutenção do Equipamento Ferroviário) estava a caminho do local.
No dia 16 de Janeiro, outro deslizamento de terras provocou o descarrilamento de um comboio utilizado pela Refer, também na Linha do Douro mas na zona de Marco de Canaveses, num acidente que então deixou feridos quatro funcionários da empresa.
in PublicoAcidente ocorreu em Baião e não causou feridos. Os cerca de cinquenta passageiros tiveram de caminhar quase um quilómetro até à estação de Mosteirô.
Um comboio com cerca de 50 passageiros descarrilou nesta terça-feira na Linha do Douro, em Baião, devido a um talude ter cedido, sem causar feridos, segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto.
O acidente ocorreu no sentido Régua-Porto, pelas 18h09, e levou a que os bombeiros locais e a Protecção Civil de Baião fossem mobilizados para o local de modo a conduzir as pessoas pela linha até à estação de Mosteirô, a 900 metros do sucedido.
De acordo com a mesma fonte do CDOS do Porto, os passageiros foram depois transportados para os seus destinos por meios alternativos.
Contactada pelo PÚBLICO, a porta-voz da CP assegurou que não há qualquer dano pessoal decorrente do acidente cujas causas exactas ainda desconhecia por volta das 20h05. A mesma fonte admitiu que o comboio seja recolocado na via nas próximas horas, de modo a normalizar a circulação naquele troço onde foi necessário, no resto do dia, recorrer a transbordos para serviços rodoviários de apoio.
A Refer, também contactada pelo PÚBLICO, confirmou que a normalidade será reposta dentro de poucas horas. Segundo Susana Abrantes, a porta-voz desta empresa responsável pela infra-estrutura, a recolocação da carruagem na linha não deve ser uma operação particularmente difícil, dado que o comboio não chegou a tombar, tendo-se registado apenas a saída do carril de um boggie, um eixo. A Lusa noticiou entretanto que a circulação de comboios deverá ser restabelecida nesta quarta-feira de manhã.
A chuva intensa dos últimos dias terá estado na origem do deslizamento de terras que, ainda segundo a porta-voz da Refer, provocou o descarrilamento. Às 20h, o comboio de socorro da EMEF (Empresa de Manutenção do Equipamento Ferroviário) estava a caminho do local.
No dia 16 de Janeiro, outro deslizamento de terras provocou o descarrilamento de um comboio utilizado pela Refer, também na Linha do Douro mas na zona de Marco de Canaveses, num acidente que então deixou feridos quatro funcionários da empresa.
Restabelecida a circulação na Linha do Douro
Um descarrilamento obrigou à suspensão da circulação ferroviária no troço Aregos/Mosteirô. Seguiam 50 pessoas a bordo, mas não houve feridos.
A circulação de comboios na Linha do Douro foi restabelecida esta quarta-feira pelas 5h00, depois de ter estado interrompida no troço entre Aregos e Mosteirô, devido a um descarrilamento.
Fonte da Refer garantiu à agência Lusa que o dia deve decorrer sem "quaisquer anomalias".
A circulação foi interrompida na terça-feira à tarde na sequência de um descarrilamento provocado por um aluimento de terras, que obrigou os passageiros do comboio a serem transportados por meios alternativos.
O acidente ocorreu no sentido Régua-Porto, pelas 18h09, e mobilizou bombeiros e a Protecção Civil de Baião ao local, de modo a conduzir as pessoas pela linha até à estação de Mosteirô, situada a 900 metros.
in RR
sábado, 1 de fevereiro de 2014
A Máquina - 1878-1914
Em 2014 comemora-se o 100º aniversário do desaparecimento do que se pode
considerar os primórdios do metro de superfície da cidade do Porto. Ficou
popularmente conhecida como "A Maquina".
"A “máquina” na rua de N.ª Sr.ª da Luz na Foz do Douro"
A linha, que ligava a rotunda da Boavista a Matosinhos, foi inaugurada em
1878 era explorada pela Companhia dos Carris de Ferro do Porto.
A máquina, movida pela energia do carvão e água - vapor - rebocava duas ou
três carruagens de passageiros.
Partia da rotunda da Boavista, seguindo pela avenida com o mesmo nome até
sensivelmente à Fonte do Moura, onde flectia à esquerda, pela actual Rua
Correia de Sá. No cruzamento com a rua de Tânger, existia um viaduto, cujos vestígios
são hoje ainda visíveis, num dos lados desta artéria.
No seu trajecto em direcção á foz, a Máquina cruzava os Campos da Ervilha.
Aqui decorreram algumas das principais batalhas do Cerco do Porto, disputa
entre liberais e absolutistas, que durou entre Julho de 1832 e Agosto de 1833.
Dos Campos da Ervilha, a linha seguia em direcção à foz do Douro, cruzando
terrenos destinados à futura Av. D. Pedro IV.
Junto à Foz do Douro a Maquina tinha a sua principal paragem, no Largo de
Cadouços, onde existia uma toma de água, destinada a alimentar A Máquina.
"“A Máquina a Vapor da C.C.F.P.” - Colecção Particular /Museu do Carro Eléctrico.
Cf. MARTINS, Fernando Pinheiro, O Carro Eléctrico na Cidade do Porto –Dissertação de Mestrado- FEUP 2007"
Daqui, o seu percurso para Matosinhos seguia pela Rua do Túnel, um dos vestígios mais importantes desta linha ferroviária.
Este túnel foi construído por baixo do monte da Sra. da Luz, onde outrora existiu um importante farol para a nevegação.
A linha prosseguia pela Rua de Gondarém, passando pelo Castelo do Queijo em direcção à actual Rua Brito Capelo, onde terminava, na margem do Rio Leça.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Metro do Porto vs. Metro de Lisboa (as greves e os seus efeitos)
Ao ler algumas notícias publicadas nos últimos dias na imprensa, questiono-me sobre que diferença existe entre os trabalhadores do Metro do Porto e do Metro de Lisboa. No Porto, não há conflitos laborais, não há greves semana-sim-semana-sim, e os números mostram que há cada vez mais passageiros a escolher este meio de transporte.
Em Lisboa, onde os trabalhadores do Metro de Lisboa lutam contra o governo mas prejudicando exclusivamente o passageiro, verifica-se uma diminuição acentuada de clientes neste meio de transporte.
Sendo assim, transcrevo para aqui algumas notícias que nos podem levar a uma reflexão sobre os impactos das sucessivas greves no quotidiano dos Lisboetas e Portuenses.
"Greves estão a criar efeito negativo na procura de transporte público"
Luís Cabaço Martins, presidente da ANTROP e administrador do grupo Barraqueiro, considera que as empresas privadas de transportes são mais eficazes a gerir os conflitos laborais do que as públicas.
Luís Cabaço Martins, presidente da ANTROP e administrador do grupo Barraqueiro, considera que as empresas privadas de transportes são mais eficazes a gerir os conflitos laborais do que as públicas.
O elevado número de greves está a gerar desconfiança entre os utentes e mesmo o seu afastamento dos transportes públicos, afirma o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP).
“O que me parece relevante nesta questão das greves, e dada a sua frequência e persistência, é o efeito negativo que se cria na procura de transporte público”, diz Luís Cabaço Martins, em entrevista à Renascença.
“Acho que o Governo, quando é responsável directamente pela gestão das empresas públicas, e é nessa componente que me referia, deve ponderar seriamente as suas opções políticas de modo a não criar, por si próprio, efeitos acrescidos de afastamento das pessoas”, sublinha o também administrador do grupo Barraqueiro.
Para Luís Cabaço Martins, as empresas privadas de transportes são mais eficazes a gerir os conflitos laborais do que as públicas.
O presidente da ANTROP aponta o dedo à reestruturação do sector empresarial do Estado feita pelo Governo em 2011, que tem gerado inúmeros protestos e greves dos trabalhadores.
À margem da conferência sobre a mobilidade e as pessoas, organizada esta quarta-feira pela Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, Luís Cabaço Martins defendeu a passagem deste serviço público para as mãos dos privados.
“Eu penso que, pelo menos, poderíamos ter oportunidade de provar que o sector privado, tradicionalmente, consegue gerir melhor, de forma talvez mais flexível, mais aberta, sem ter constrangimentos políticos, de calendário político.”
Na opinião de Luís Cabaço Martins, “o empresariado privado tem mais oportunidade de encontrar consensos e equilíbrios, porque não está constrangido com nenhum tipo de pressão política, ao contrário do que acontece com as empresas públicas que, muitas vezes, quando existem conflitos, existe uma confusão institucional”.
Ou seja, conclui, “muitas vezes existe conflito entre as opções de gestão do próprio empresário público e o Governo, que muitas vezes avoca para si a gestão dessas questões sociais”.
fonte: RR
"De todas as greves nos transportes, nenhuma parou na Metro do Porto
Uma cultura importada do privado e os impactos reduzidos que teria uma paralisação fazem da empresa do Estado caso único num sector onde as greves se têm sucedido sem travão.
Só nos últimos dois anos e meio, houve mais de 500 dias com greves no sector dos transportes públicos, da CP à Transtejo. Nesta quinta-feira, a Metro de Lisboa volta a sofrer constrangimentos fruto de uma paralisação parcial que tem vindo e irá repetir-se uma vez por semana em 2014, enquanto sindicatos e empresa não chegarem a um entendimento. Mas, a norte, há uma transportadora do Estado que não conhece os impactos destes protestos. Por que razão, nos mais de 11 anos de existência, nunca houve uma única greve específica da Metro do Porto?
Há mais do que uma resposta a esta pergunta, mas a grande justificação parece ser o modelo de funcionamento da empresa. Subconcessionada a privados desde que colocou a primeira composição em movimento regular, em 2002, a transportadora tem escapado sempre ilesa às múltiplas paralisações sectoriais pelo facto de a grande maioria dos trabalhadores (cerca de 300 de um total de 400) estar vinculada não à Metro do Porto, enquanto empresa pública, mas sim ao consórcio que gere a operação. Essa responsabilidade está hoje com a Viaporto, detida pelo grupo Barraqueiro, Arriva, Keolis e Manvia e cujo contrato termina este ano.
É “um modelo de negócio que facilita a eficácia e a fiabilidade e obvia os constrangimentos que vão caracterizando os operadores públicos”, afirmou João Velez Carvalho, presidente da empresa desde meados de 2012. Ao estarem integrados na Viaporto, os trabalhadores não ficam sujeitos às medidas que estão na base da contestação do sector, como as reduções salariais impostas pelo Governo. Além disso, “há elevados requisitos de exigência por parte do concessionário, que criam uma cultura diferente” dentro da transportadora, explicou Nuno Ortigão, que pertence à Comissão de Trabalhadores (CT).
A própria criação deste órgão é reveladora dessa cultura. Aquando das eleições, há cerca de dois anos, os trabalhadores preteriram a lista formada por funcionários ligados a sindicatos para elegerem uma CT que tem como membros um director, um quadro superior e um administrativo. Uma eventual fuga “à agenda política”, referiu Nuno Ortigão, que está na Metro do Porto desde 2001 e é director de operação com a vertente comercial. Antes, tinha sido quadro da STCP, empresa pública rodoviária do Porto, e trabalhado para o sector privado, na Sonae.
Dos cerca de 85 trabalhadores que pertencem à Metro do Porto, pouco mais de uma dezena são sindicalizados. Nas estruturas sindicais que representam o sector, lamenta-se a ausência da empresa nas acções de luta. José Manuel Oliveira, coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, afirmou que “gostariam que todos os trabalhadores se identificassem com o que está a ser feito”, mas admitiu que, mesmo existindo adesão, os impactos seriam reduzidos.
É que a outra resposta à pergunta reside no facto de os funcionários que estão integrados na empresa pública, além de poucos, serem maioritariamente quadros técnicos e não operacionais. “Se pararem, ninguém nota”, referiu o sindicalista. Nuno Ortigão concorda que este é um dos motivos pelos quais a Metro do Porto nunca foi afectada por greves. E adianta que, mesmo com uma adesão de 100%, “estariam todos no terreno, a ver se a operação funciona” só porque “foram educados dessa forma”.
A sabotagem
Existe, na transportadora pública, esta atitude. Que também é muito mais pelo diálogo do que pela paralisação. “Preferimos sempre a via intelectual à força irreflectida”, explicou o membro da CT, acrescentando que essa opção prevalecerá mesmo se os planos de reestruturação da empresa, que deveriam ter sido postos em marcha no ano passado e têm implícita uma redução de 50% dos quadros de pessoal, avançarem. Nuno Ortigão critica, sobretudo, “a paralisação a que se assiste no projecto da empresa”, considerado que, no sector dos transportes, a actuação do Governo “tem sido um fracasso total”.
As bases da criação da Metro do Porto já têm duas décadas, quando em 1994 foi lançado o concurso público para construção e operação do sistema, mas a empresa só recebeu o primeiro veículo da frota sete anos depois. Desde que a operação arrancou, tem sofrido impactos com as greves gerais. Houve, porém, um episódio que marcou a história da transportadora e ainda corre na Justiça. Durante uma greve geral, em Maio de 2007, o sistema de comunicações foi sabotado, obrigando a suspender parcialmente a circulação. Ainda hoje estão por encontrar os responsáveis.
Ainda em 2008, a convocação de uma greve na Transdev, que era o concessionário antes da Viaporto, teve uma adesão que o Sindicato dos Maquinistas assegurou chegar aos 100%. No entanto, a empresa garantiu, na altura, que o serviço decorreu "sem precalços", em declarações à Lusa.
O conselho de administração da empresa, que em 2012 se fundiu operacionalmente com a STCP, diz que “tem sido prioridade promover a cooperação e o envolvimento”, quando questionado sobre os esforços feitos para manter a paz social. A Fectrans confirma que, para lá das medidas impostas pelo Governo aos trabalhadores directos da Metro do Porto, não tem havido conflitos de maior com o concessionário.
Aliás, as negociações para revisão do acordo de empresa começaram quarta-feira, com os sindicatos a assegurarem que, faltando consenso, o recurso à greve “será a última possibilidade”. José Manuel Oliveira referiu ainda que, mesmo os funcionários que estão vinculados à transportadora do Estado, são “pessoas que, por serem quadros técnicos, têm um suporte financeiro diferente que lhes permite encarar com maior facilidade os efeitos dos cortes” no Estado.
Do lado do Governo, a singularidade da transportadora pública no que toca a paralisações tem sido aproveitada para dar força ao argumento de que são os sucessivos protestos que têm levado à redução de passageiros nos transportes públicos, a par da fraude. Outras razões como os aumentos tarifários e a diminuição da mobilidade por causa das elevadas taxas de desemprego têm sido deixadas para segundo plano.
Ao contrário do que aconteceu nas restantes empresas do sector, 2013 foi um ano de crescimento de tráfego para a Metro do Porto. Dados cedidos pela empresa mostram que foram transportados 55,9 milhões de passageiros, o que significou uma subida homóloga de 2,6%. Já na STCP, a tendência de queda manteve-se, com a procura a descer 7,5% para um total de 78,5 milhões de pessoas transportadas.
A transportadora pública tem estado, como todo o sector, sob o fogo da austeridade. E, apesar de registar uma melhoria nos resultados operacionais, continua a acumular prejuízos elevados, que atingiram 50,3 milhões de euros até Setembro, e um endividamento de 3200 milhões. Este fardo deve-se, em grande parte, aos encargos financeiros associados ao financiamento que foi obrigava a contrair para suportar obra do Estado.
Notícia actualizada: Foi acrescentado um parágrafo sobre a paralisação na Transdev, em 2008, e clarificado que, em situações de greve geral, a operação da Metro do Porto tem sofrido impactos. "
Uma cultura importada do privado e os impactos reduzidos que teria uma paralisação fazem da empresa do Estado caso único num sector onde as greves se têm sucedido sem travão.
Só nos últimos dois anos e meio, houve mais de 500 dias com greves no sector dos transportes públicos, da CP à Transtejo. Nesta quinta-feira, a Metro de Lisboa volta a sofrer constrangimentos fruto de uma paralisação parcial que tem vindo e irá repetir-se uma vez por semana em 2014, enquanto sindicatos e empresa não chegarem a um entendimento. Mas, a norte, há uma transportadora do Estado que não conhece os impactos destes protestos. Por que razão, nos mais de 11 anos de existência, nunca houve uma única greve específica da Metro do Porto?
Há mais do que uma resposta a esta pergunta, mas a grande justificação parece ser o modelo de funcionamento da empresa. Subconcessionada a privados desde que colocou a primeira composição em movimento regular, em 2002, a transportadora tem escapado sempre ilesa às múltiplas paralisações sectoriais pelo facto de a grande maioria dos trabalhadores (cerca de 300 de um total de 400) estar vinculada não à Metro do Porto, enquanto empresa pública, mas sim ao consórcio que gere a operação. Essa responsabilidade está hoje com a Viaporto, detida pelo grupo Barraqueiro, Arriva, Keolis e Manvia e cujo contrato termina este ano.
É “um modelo de negócio que facilita a eficácia e a fiabilidade e obvia os constrangimentos que vão caracterizando os operadores públicos”, afirmou João Velez Carvalho, presidente da empresa desde meados de 2012. Ao estarem integrados na Viaporto, os trabalhadores não ficam sujeitos às medidas que estão na base da contestação do sector, como as reduções salariais impostas pelo Governo. Além disso, “há elevados requisitos de exigência por parte do concessionário, que criam uma cultura diferente” dentro da transportadora, explicou Nuno Ortigão, que pertence à Comissão de Trabalhadores (CT).
A própria criação deste órgão é reveladora dessa cultura. Aquando das eleições, há cerca de dois anos, os trabalhadores preteriram a lista formada por funcionários ligados a sindicatos para elegerem uma CT que tem como membros um director, um quadro superior e um administrativo. Uma eventual fuga “à agenda política”, referiu Nuno Ortigão, que está na Metro do Porto desde 2001 e é director de operação com a vertente comercial. Antes, tinha sido quadro da STCP, empresa pública rodoviária do Porto, e trabalhado para o sector privado, na Sonae.
Dos cerca de 85 trabalhadores que pertencem à Metro do Porto, pouco mais de uma dezena são sindicalizados. Nas estruturas sindicais que representam o sector, lamenta-se a ausência da empresa nas acções de luta. José Manuel Oliveira, coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, afirmou que “gostariam que todos os trabalhadores se identificassem com o que está a ser feito”, mas admitiu que, mesmo existindo adesão, os impactos seriam reduzidos.
É que a outra resposta à pergunta reside no facto de os funcionários que estão integrados na empresa pública, além de poucos, serem maioritariamente quadros técnicos e não operacionais. “Se pararem, ninguém nota”, referiu o sindicalista. Nuno Ortigão concorda que este é um dos motivos pelos quais a Metro do Porto nunca foi afectada por greves. E adianta que, mesmo com uma adesão de 100%, “estariam todos no terreno, a ver se a operação funciona” só porque “foram educados dessa forma”.
A sabotagem
Existe, na transportadora pública, esta atitude. Que também é muito mais pelo diálogo do que pela paralisação. “Preferimos sempre a via intelectual à força irreflectida”, explicou o membro da CT, acrescentando que essa opção prevalecerá mesmo se os planos de reestruturação da empresa, que deveriam ter sido postos em marcha no ano passado e têm implícita uma redução de 50% dos quadros de pessoal, avançarem. Nuno Ortigão critica, sobretudo, “a paralisação a que se assiste no projecto da empresa”, considerado que, no sector dos transportes, a actuação do Governo “tem sido um fracasso total”.
As bases da criação da Metro do Porto já têm duas décadas, quando em 1994 foi lançado o concurso público para construção e operação do sistema, mas a empresa só recebeu o primeiro veículo da frota sete anos depois. Desde que a operação arrancou, tem sofrido impactos com as greves gerais. Houve, porém, um episódio que marcou a história da transportadora e ainda corre na Justiça. Durante uma greve geral, em Maio de 2007, o sistema de comunicações foi sabotado, obrigando a suspender parcialmente a circulação. Ainda hoje estão por encontrar os responsáveis.
Ainda em 2008, a convocação de uma greve na Transdev, que era o concessionário antes da Viaporto, teve uma adesão que o Sindicato dos Maquinistas assegurou chegar aos 100%. No entanto, a empresa garantiu, na altura, que o serviço decorreu "sem precalços", em declarações à Lusa.
O conselho de administração da empresa, que em 2012 se fundiu operacionalmente com a STCP, diz que “tem sido prioridade promover a cooperação e o envolvimento”, quando questionado sobre os esforços feitos para manter a paz social. A Fectrans confirma que, para lá das medidas impostas pelo Governo aos trabalhadores directos da Metro do Porto, não tem havido conflitos de maior com o concessionário.
Aliás, as negociações para revisão do acordo de empresa começaram quarta-feira, com os sindicatos a assegurarem que, faltando consenso, o recurso à greve “será a última possibilidade”. José Manuel Oliveira referiu ainda que, mesmo os funcionários que estão vinculados à transportadora do Estado, são “pessoas que, por serem quadros técnicos, têm um suporte financeiro diferente que lhes permite encarar com maior facilidade os efeitos dos cortes” no Estado.
Do lado do Governo, a singularidade da transportadora pública no que toca a paralisações tem sido aproveitada para dar força ao argumento de que são os sucessivos protestos que têm levado à redução de passageiros nos transportes públicos, a par da fraude. Outras razões como os aumentos tarifários e a diminuição da mobilidade por causa das elevadas taxas de desemprego têm sido deixadas para segundo plano.
Ao contrário do que aconteceu nas restantes empresas do sector, 2013 foi um ano de crescimento de tráfego para a Metro do Porto. Dados cedidos pela empresa mostram que foram transportados 55,9 milhões de passageiros, o que significou uma subida homóloga de 2,6%. Já na STCP, a tendência de queda manteve-se, com a procura a descer 7,5% para um total de 78,5 milhões de pessoas transportadas.
A transportadora pública tem estado, como todo o sector, sob o fogo da austeridade. E, apesar de registar uma melhoria nos resultados operacionais, continua a acumular prejuízos elevados, que atingiram 50,3 milhões de euros até Setembro, e um endividamento de 3200 milhões. Este fardo deve-se, em grande parte, aos encargos financeiros associados ao financiamento que foi obrigava a contrair para suportar obra do Estado.
Notícia actualizada: Foi acrescentado um parágrafo sobre a paralisação na Transdev, em 2008, e clarificado que, em situações de greve geral, a operação da Metro do Porto tem sofrido impactos. "
fonte: Publico
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Estado d'Alma IX
Escrevo estas linhas no dia em que foi divulgado, pela comunicação social, o relatório elaborado por um grupo de trabalho nomeado pelo governo, para elencar os grandes investimentos para os próximos anos.
Olhando para o que foi publicado, sobressai o desinteresse nas auto-estradas do Alentejo, no Ramal da Lousã e na ligação Covilhã-Guarda.
Eis a lista dos 30 projectos prioritários:
1º Ampliação do terminal de contentores do porto de Leixões (Investimento: 38 milhões de euros)
2º Conclusão do plano de modernização da Linha do Norte (Investimento: 400 milhões de euros)
3º Expansão do Terminal de Contentores XXI do porto de Sines (Investimento: 139 milhões de euros)
4º Melhoria da acessibilidade marítima e optimização de fundos do porto se Setúbal (Investimento: 25 milhões de euros)
5º Conclusão da obra do Túnel do Marão (Investimento: 173 milhões de euros)
6º Novo terminal de contentores do porto de Leixões (Investimento: 200 milhões de euros)
7º Novo terminal de contentores do porto de Lisboa (Investimento: 600 milhões de euros)
8º Novo terminal de cruzeiros do porto de Leixões (Investimento: 12 milhões de euros)
9º Novo terminal de carga no aeroporto de Lisboa (Investimento: 5 milhões de euros)
10º Modernização dos troços ferroviários entre Aveiro e Vilar Formoso (Investimento: 900 milhões de euros)
11º Novo terminal de cruzeiros em Lisboa (Investimento: 25,2 milhões de euros)
12º Aumento da eficiência dos actuais terminais de contentores de Alcântara (Investimento: 46,6 milhões de euros)
13º Entrada de navios de maior dimensão no porto de Aveiro (Investimento: 1 milhão de euros)
14º Plataforma logística do porto de Leixões (Investimento: 180 milhões de euros)
15º Zona de actividades logísticas e expansão do polo de Cacia em Aveiro (Investimento: 53,9 milhões de euros)
16º Obras de correcção do traçado na foz dos rios Tua e Sabor (Investimento: 50 milhões de euros)
17º Modernização e electrificação da linha do Minho (Investimento: 145 milhões de euros)
18º Expansão do terminal ro-ro do porto de Setúbal (Investimento: 3,5 milhões de euros)
19º Melhoria das condições operacionais dos terminais do porto de Aveiro (Investimento: 3,5 milhões de euros)
20º Melhoria do acesso marítimo e instalações nos portos de Portimão e Faro (Investimento: 55 milhões de euros)
21º Intervenções nas eclusas no Douro (Investimento: 24 milhões de euros)
22º Construção do IP3 entre Coimbra e Viseu (Investimento: 600 milhões de euros)
23º Modernização da linha de Cascais (Investimento: 160 milhões de euros)
24º Modernização e electrificação da Linha do Sul (Investimento: 20 milhões de euros)
25º Linha ferroviária Évora-Caia/Badajoz no âmbito das ligações ao porto de Sines (Investimento: 1000 milhões de euros)
26º Modernização e electrificação da Linha do Algarve (Investimento: 55 milhões de euros)
27º Reformulação e integração dos terminais de carga nos aeroportos nacionais (Investimento: 5 milhões de euros)
28º Reactivação do cais da Siderurgia Nacional (terminal do Seixal) (Investimento: 6 milhões de euros)
29º Modernização e electrificação da Linha do Oeste (Investimento: 135 milhões de euros)
30º Aprofundamento da barra, canal e bacia do porto da Figueira da Foz (Investimento: 25 milhões de euros)
2º Conclusão do plano de modernização da Linha do Norte (Investimento: 400 milhões de euros)
3º Expansão do Terminal de Contentores XXI do porto de Sines (Investimento: 139 milhões de euros)
4º Melhoria da acessibilidade marítima e optimização de fundos do porto se Setúbal (Investimento: 25 milhões de euros)
5º Conclusão da obra do Túnel do Marão (Investimento: 173 milhões de euros)
6º Novo terminal de contentores do porto de Leixões (Investimento: 200 milhões de euros)
7º Novo terminal de contentores do porto de Lisboa (Investimento: 600 milhões de euros)
8º Novo terminal de cruzeiros do porto de Leixões (Investimento: 12 milhões de euros)
9º Novo terminal de carga no aeroporto de Lisboa (Investimento: 5 milhões de euros)
10º Modernização dos troços ferroviários entre Aveiro e Vilar Formoso (Investimento: 900 milhões de euros)
11º Novo terminal de cruzeiros em Lisboa (Investimento: 25,2 milhões de euros)
12º Aumento da eficiência dos actuais terminais de contentores de Alcântara (Investimento: 46,6 milhões de euros)
13º Entrada de navios de maior dimensão no porto de Aveiro (Investimento: 1 milhão de euros)
14º Plataforma logística do porto de Leixões (Investimento: 180 milhões de euros)
15º Zona de actividades logísticas e expansão do polo de Cacia em Aveiro (Investimento: 53,9 milhões de euros)
16º Obras de correcção do traçado na foz dos rios Tua e Sabor (Investimento: 50 milhões de euros)
17º Modernização e electrificação da linha do Minho (Investimento: 145 milhões de euros)
18º Expansão do terminal ro-ro do porto de Setúbal (Investimento: 3,5 milhões de euros)
19º Melhoria das condições operacionais dos terminais do porto de Aveiro (Investimento: 3,5 milhões de euros)
20º Melhoria do acesso marítimo e instalações nos portos de Portimão e Faro (Investimento: 55 milhões de euros)
21º Intervenções nas eclusas no Douro (Investimento: 24 milhões de euros)
22º Construção do IP3 entre Coimbra e Viseu (Investimento: 600 milhões de euros)
23º Modernização da linha de Cascais (Investimento: 160 milhões de euros)
24º Modernização e electrificação da Linha do Sul (Investimento: 20 milhões de euros)
25º Linha ferroviária Évora-Caia/Badajoz no âmbito das ligações ao porto de Sines (Investimento: 1000 milhões de euros)
26º Modernização e electrificação da Linha do Algarve (Investimento: 55 milhões de euros)
27º Reformulação e integração dos terminais de carga nos aeroportos nacionais (Investimento: 5 milhões de euros)
28º Reactivação do cais da Siderurgia Nacional (terminal do Seixal) (Investimento: 6 milhões de euros)
29º Modernização e electrificação da Linha do Oeste (Investimento: 135 milhões de euros)
30º Aprofundamento da barra, canal e bacia do porto da Figueira da Foz (Investimento: 25 milhões de euros)
fonte: jornal Público
sábado, 25 de janeiro de 2014
Indice de 25-01-2014
Para os interessados, fica aqui um índice actualizado com os artigos publicados neste blog:
Locomotivas CP:
Locomotivas Diesel CP Série 1200
Locomotivas Diesel CP Série 1300
Locomotivas Diesel CP Série 1320
Locomotivas Diesel CP Série 1400 (1ª Parte)
Locomotivas Diesel CP Série 1400 (2ª Parte)
Locomotivas Diesel CP Série 1500
Locomotivas Diesel CP Série 1520
Locomotivas Diesel CP Série 1550
Locomotivas Diesel CP Série 1800
Locomotivas Diesel CP Série 1930
Locomotivas Diesel CP Série 1960
Automotoras (diesel) CP:
Automotoras Diesel CP Série 0300
Automotoras Diesel série 0400
O Canto do Cisne das UTD/UDD's 0600
Unidades eléctricas CP:
Automotoras Eléctricas CP Séries 2100/150/200
Locomotivas Eléctricas CP Série 2500
Remodelação da UTE 2295
Locomotivas CP:
Locomotivas Diesel CP Série 1200
Locomotivas Diesel CP Série 1300
Locomotivas Diesel CP Série 1320
Locomotivas Diesel CP Série 1400 (1ª Parte)
Locomotivas Diesel CP Série 1400 (2ª Parte)
Locomotivas Diesel CP Série 1500
Locomotivas Diesel CP Série 1520
Locomotivas Diesel CP Série 1550
Locomotivas Diesel CP Série 1800
Locomotivas Diesel CP Série 1930
Locomotivas Diesel CP Série 1960
Automotoras (diesel) CP:
Automotoras Diesel CP Série 0300
Automotoras Diesel série 0400
O Canto do Cisne das UTD/UDD's 0600
Unidades eléctricas CP:
Automotoras Eléctricas CP Séries 2100/150/200
Locomotivas Eléctricas CP Série 2500
Remodelação da UTE 2295
Automotoras Eléctricas CP Séries 3150/3250
Remodelação das UQE's CP Série 3500
UQE CP 3527
UQE CP 3522
Remodelação das UQE's CP Série 3500 (Parte III)
Ensaios CPA entre Contumil e Aveiro
Metropolitano de Lisboa:
Metro de Lisboa - Unidades ML7
Metro de Lisboa - Unidades ML79
O Plano de Expansão do ML em 2005
Metro de Lisboa - Novo modelo de circulação na Linha Verde
Metro de Lisboa - Intervalo entre Comboios
Metro de Lisboa - Intervalo entre Comboios (2)
Metro de Lisboa - Obras na estação de Areeiro
Metro de Lisboa - Intervalo entre Comboios (3)
Metro de Lisboa - Prolongamento da Reboleira
Metro de Lisboa - Prolongamento ao Aeroporto
Metro de Lisboa - Inauguração do Prolongamento ao Aeroporto ...
Remodelação das UQE's CP Série 3500
UQE CP 3527
UQE CP 3522
Remodelação das UQE's CP Série 3500 (Parte III)
Ensaios CPA entre Contumil e Aveiro
Metropolitano de Lisboa:
Metro de Lisboa - Unidades ML7
Metro de Lisboa - Unidades ML79
O Plano de Expansão do ML em 2005
Metro de Lisboa - Novo modelo de circulação na Linha Verde
Metro de Lisboa - Intervalo entre Comboios
Metro de Lisboa - Intervalo entre Comboios (2)
Metro de Lisboa - Obras na estação de Areeiro
Metro de Lisboa - Intervalo entre Comboios (3)
Metro de Lisboa - Prolongamento da Reboleira
Metro de Lisboa - Prolongamento ao Aeroporto
Metro de Lisboa - Inauguração do Prolongamento ao Aeroporto ...
Infraestruturas-Linhas e Ramais:
Linha do Corgo - um pouco de história
Linha de Évora - um pouco de história
Ramal da Figueira da Foz - um pouco de história
Linha de Évora - um pouco de história
Ramal da Figueira da Foz - um pouco de história
Ramal de Monção - um pouco de história
Ramal de Montemor-o-Novo - um pouco de história
Ramal de Mora - um pouco de história
Ramal de Moura - um pouco de história
Ramal de Portalegre - um pouco de história
Ramal de Reguengos - um pouco de história
Ramal de Reguengos (revisitado)
Ramal de Montemor-o-Novo - um pouco de história
Ramal de Mora - um pouco de história
Ramal de Moura - um pouco de história
Ramal de Portalegre - um pouco de história
Ramal de Reguengos - um pouco de história
Ramal de Reguengos (revisitado)
Infraestruturas-Projectos inconcluídos:
Imagens dos Céus de Portugal
Acidentes e incidentes:
Santa Iria - População corta Linha do Norte - 03 Novembro 1987
Nelas - Corte da Linha da Beira Alta em 29 Maio 1989
Incidente numa passagem de nível em Espinho
Linha do Oeste - Acidente em Jerumelo - 07 Outubro 2011
Linha do Douro - Incidente em Ermida (16 de Abril 2012)
Colisão na Linha de Cascais
Acidente na Amadora (Venda Nova) - 31 Janeiro 1980...
Descarrilamento no Poceirão - "Comboio do Amoniaco...
Descarrilamento no Poceirão - "Comboio do Amoniaco...
- Beira Baixa:
Os ICs da Beira Baixa
Os ICs de Évora e Beja
UTE's nos IC's da Beira-Baixa
UTE's nos IC's da Beira-Baixa (II)
Linha da Beira Baixa - que futuro?
UTE's nos IC's da Beira-Baixa (III)
A Linha da Beira Baixa da Covilhã à Guarda
Serviço Regional Covilhã - Guarda
Linha da Beira Baixa - CP perde passageiros
Linha da Beira Baixa - Da Covilhã à Guarda em 6 ho...
Acidente Linha da Beira Baixa, PK 33,5 - 29 Dezemb...
Linha da Beira Baixa vs. A23
UTE's nos IC's da Beira-Baixa (IV)
- Douro:
Linha do Douro - Acidente em Ermida (11 de Dezembro 2000)
Linha do Douro - Acidente na Ferradosa (22 de Janeiro 2005)
Linha do Douro - Que Futuro? (2º capítulo)
Linha do Douro - Que futuro?
- Lousã (ex-ramal ferroviário)
- Minho:
- Oeste:
- Vouga:
Outros assuntos:
CP - Vandalismo de Material Circulante
Greve na CP em 17 Fevereiro 1988
Centenário da Estação Ferroviária de Alcântara Terra
Loc. CP 2624 de volta ao Longo Curso
Deservagem Química de Via
Ir (ou não) à Manifestação de Transporte Público
Linha do Sul - Que Futuro?
Linha do Algarve - Rotação de Material Circulante
Alterações ao serviço rápido entre Faro e Lisboa
As Schindler Voltam às Beiras - Viagem especial ...
RES - Regime de Exploração Simplificada
Amputação na Linha do Alentejo
Quo Vadis, CP Carga (avaria da locomotiva 1913)
Desmantelamento de material no Barreiro
CP - Vandalismo de Material Circulante
Greve na CP em 17 Fevereiro 1988
Centenário da Estação Ferroviária de Alcântara Terra
Loc. CP 2624 de volta ao Longo Curso
Deservagem Química de Via
Ir (ou não) à Manifestação de Transporte Público
Linha do Sul - Que Futuro?
Linha do Algarve - Rotação de Material Circulante
Alterações ao serviço rápido entre Faro e Lisboa
As Schindler Voltam às Beiras - Viagem especial ...
RES - Regime de Exploração Simplificada
Amputação na Linha do Alentejo
Quo Vadis, CP Carga (avaria da locomotiva 1913)
Desmantelamento de material no Barreiro
Comboio presidencial:
Comboio Presidencial (I)
Comboio Presidencial (II)
Comboio Presidencial (III)
Comboio Presidencial (IV)
Comboio Presidencial (VII)
Comboios especiais:
Comboio LifeRail
Comboios especiais realizados por UTE's do Serviço...
Comboio especial Vila Meã a Caldas da Rainha (04 J...
Comboios especiais:
Comboio LifeRail
Comboios especiais realizados por UTE's do Serviço...
Comboio especial Vila Meã a Caldas da Rainha (04 J...
Eléctricos:
STCP - Desfile de Carros Eléctricos - 05 Maio 2012...
Lisboa: O eléctrico 18
O eléctrico 738
O eléctrico 738 (Festa do Avante 2011)
Lisboa: o vandalismo nos eléctricos e elevadores d...
PTG:
PTG 2013 - Porto-Braga-Porto
Os passeios do PTG - 2012
Os passeios do PTG - 2010
Os passeios do PTG - 2009
Os passeios do PTG - 2012
Os passeios do PTG - 2010
Os passeios do PTG - 2009
Nota 1: este blog não representa qualquer organização, empresa ou tendência ferroviária. É apenas e só um espaço de opinião.
Nota 2: as fotos que ilustram este artigo estão identificadas com o nome do autor e quando aplicável, com a referência onde foram encontradas.
Nota 2: as fotos que ilustram este artigo estão identificadas com o nome do autor e quando aplicável, com a referência onde foram encontradas.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Colisão em Alfarelos (Granja do Ulmeiro) IV (um ano depois)
Película de gordura na origem do acidente ferroviário de Alfarelos
Carlos Cipriano 21/01/2014
Reunião de circunstâncias improváveis contribuiu para um dos desastres mais espectaculares do caminho-de-ferro em Portugal. Um ano depois, relatório continua escondido.
Faz um ano esta terça-feira que ocorreu em Alfarelos, concelho de Soure, distrito de Coimbra, um dos acidentes ferroviários mais espectaculares da história do caminho-de-ferro em Portugal, quando um Intercidades irrompeu por um comboio regional adentro, abrindo duas carruagens como se fossem folhas de papel. Um mero acaso — o facto de nesse dia o regional ir com o dobro das carruagens e não circular nas da cauda um único passageiro — evitou que o acidente redundasse numa tragédia.
As causas do acidente não são nada óbvias — e podem surpreender ou até mesmo fazer sorrir de condescendência as pessoas menos familiarizadas com o sistema ferroviário —, mas tudo se deveu a folhas de árvores caídas sobre os carris, que, uma vez esmagadas pelos rodados de várias composições, criaram uma película gordurosa que fez deslizar os comboios quando estes frenavam.
Doze meses depois a Secretaria de Estado dos Transportes recusa falar sobre este assunto. O PÚBLICO enviou cartas para a secretaria de Estado e vários emails para um dos assessores. A secretaria de Estado também não respondeu à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA) sobre as razões por que recusa divulgar o relatório do acidente. O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), que coordenou o inquérito, também rejeita divulgá-lo, contrariando mesmo uma deliberação da CADA que diz ser aquele um documento público.
Factores que contribuiram para acidente
Para o acidente concorreram diversas circunstâncias: a noite estava chuvosa e especialmente húmida, na véspera tinha havido um fortíssimo temporal que fizera soltar vegetação das árvores, e uns dias antes a própria Refer tivera perto do local do acidente uma brigada a desmatar as imediações da via-férrea. Aliás, nessa mesma noite outros maquinistas queixaram-se de dificuldades em frenar noutros locais da Linha do Norte.
Cada um destes factores por si só nunca provocaria um acidente. Por exemplo, o cálculo da distância necessária para fazer imobilizar um comboio tem sempre em conta, nos sistemas de frenagem das composições e na distância entre sinais, a situação mais difícil (e, mesmo assim, com uma majoração) para abranger casos extremos e assegurar patamares de segurança. É isso que faz com que andar de comboio num dia de chuva tenha a mesma segurança que num dia seco, apesar de os carris terem menos aderência (ao contrário do que acontece com os veículos rodoviários).
Mas o que aconteceu nesse dia em Alfarelos foi a reunião de um conjunto de circunstâncias bastante improváveis, que redundou num acidente.
A película de gordura provocada por folhas esmagadas nos carris é uma realidade conhecida entre os ferroviários. No Outono, na Inglaterra, em determinadas regiões com bosques, os operadores adequam os horários dos comboios a uma marcha mais reduzida para manterem os padrões de segurança. E na Inglaterra, mas também no Canadá e em França, os gestores da infra-estrutura possuem veículos apropriados para pulverizar a linha com produtos químicos que lavam os carris, eliminando a tal película gordurosa.
Segundo a RFF (Réseau Ferroviaire de France), congénere da portuguesa Refer, em 2012 as “folhas mortas” caídas sobre as linhas foram responsáveis por mais de 40 horas de atrasos de comboios em toda a rede ferroviária francesa.
Pacto de silêncio
Na maioria dos países europeus, os relatórios de acidentes ferroviários são divulgados, até para evitar que estes se repitam. Mas a CP e a Refer, entidades envolvidas neste acidente e que colaboraram no referido relatório (do qual só se conhece uma versão preliminar), recusam divulgá-lo. A Refer nem se dignou responder à CADA e a CP, num jogo do empurra, remeteu o assunto para o IMT, justificando que foi aquele instituto que coordenou a comissão de inquérito.
O pacto de silêncio entre os organismos envolvidos no acidente (todos públicos) vai mais longe: o PÚBLICO perguntou à Refer e à CP se foram seguidas as recomendações da comissão de inquérito destinadas a evitar a repetição do acidente, mas as duas empresas não responderam. Ambas, também, recusaram divulgar quais os custos do acidente, bem como o montante de indemnizações pagas.
Tecnicamente, tendo o acidente sido provocado por deficiência da infra-estrutura, competiria à Refer indemnizar os operadores (CP, CP Carga e Takargo) pelos danos materiais (só no caso da CP) e pelos atrasos e supressões de comboios na sequência do acidente, pois a Linha do Norte esteve três dias interrompida em Alfarelos para remoção dos destroços.
O acidente ocorreu às 21h15 de 21 de Janeiro, quando um Intercidades Lisboa-Porto embateu numa composição regional que estava parada à entrada da estação de Alfarelos, concelho de Soure, distrito de Coimbra. Esta última, que deveria ter parado ao sinal vermelho para entrar para uma linha desviada (a fim de ser ultrapassada pelo Intercidades), tinha “escorregado” nos carris e ultrapassado o referido sinal.
Nestas circunstâncias, a sinalização fica automaticamente accionada para interditar a aproximação dos comboios que vêm no mesmo sentido. Foi o que aconteceu. O maquinista do Intercidades deparou-se com um sinal amarelo e depois com outro, vermelho. Tentou frenar o comboio e pará-lo, mas este, simplesmente, continuou a desizar pela linha fora, apesar de o computador de bordo (Convel) ter também accionado a frenagem de emergência. Décimos de segundos antes do embate, com todos os sistemas de imobilização da composição accionados, ao maquinista não restou alternativa senão atirar-se para o chão da locomotiva, o que lhe terá salvo a vida.
Carlos Cipriano 21/01/2014
Reunião de circunstâncias improváveis contribuiu para um dos desastres mais espectaculares do caminho-de-ferro em Portugal. Um ano depois, relatório continua escondido.
Faz um ano esta terça-feira que ocorreu em Alfarelos, concelho de Soure, distrito de Coimbra, um dos acidentes ferroviários mais espectaculares da história do caminho-de-ferro em Portugal, quando um Intercidades irrompeu por um comboio regional adentro, abrindo duas carruagens como se fossem folhas de papel. Um mero acaso — o facto de nesse dia o regional ir com o dobro das carruagens e não circular nas da cauda um único passageiro — evitou que o acidente redundasse numa tragédia.
As causas do acidente não são nada óbvias — e podem surpreender ou até mesmo fazer sorrir de condescendência as pessoas menos familiarizadas com o sistema ferroviário —, mas tudo se deveu a folhas de árvores caídas sobre os carris, que, uma vez esmagadas pelos rodados de várias composições, criaram uma película gordurosa que fez deslizar os comboios quando estes frenavam.
Doze meses depois a Secretaria de Estado dos Transportes recusa falar sobre este assunto. O PÚBLICO enviou cartas para a secretaria de Estado e vários emails para um dos assessores. A secretaria de Estado também não respondeu à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA) sobre as razões por que recusa divulgar o relatório do acidente. O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), que coordenou o inquérito, também rejeita divulgá-lo, contrariando mesmo uma deliberação da CADA que diz ser aquele um documento público.
Factores que contribuiram para acidente
Para o acidente concorreram diversas circunstâncias: a noite estava chuvosa e especialmente húmida, na véspera tinha havido um fortíssimo temporal que fizera soltar vegetação das árvores, e uns dias antes a própria Refer tivera perto do local do acidente uma brigada a desmatar as imediações da via-férrea. Aliás, nessa mesma noite outros maquinistas queixaram-se de dificuldades em frenar noutros locais da Linha do Norte.
Cada um destes factores por si só nunca provocaria um acidente. Por exemplo, o cálculo da distância necessária para fazer imobilizar um comboio tem sempre em conta, nos sistemas de frenagem das composições e na distância entre sinais, a situação mais difícil (e, mesmo assim, com uma majoração) para abranger casos extremos e assegurar patamares de segurança. É isso que faz com que andar de comboio num dia de chuva tenha a mesma segurança que num dia seco, apesar de os carris terem menos aderência (ao contrário do que acontece com os veículos rodoviários).
Mas o que aconteceu nesse dia em Alfarelos foi a reunião de um conjunto de circunstâncias bastante improváveis, que redundou num acidente.
A película de gordura provocada por folhas esmagadas nos carris é uma realidade conhecida entre os ferroviários. No Outono, na Inglaterra, em determinadas regiões com bosques, os operadores adequam os horários dos comboios a uma marcha mais reduzida para manterem os padrões de segurança. E na Inglaterra, mas também no Canadá e em França, os gestores da infra-estrutura possuem veículos apropriados para pulverizar a linha com produtos químicos que lavam os carris, eliminando a tal película gordurosa.
Segundo a RFF (Réseau Ferroviaire de France), congénere da portuguesa Refer, em 2012 as “folhas mortas” caídas sobre as linhas foram responsáveis por mais de 40 horas de atrasos de comboios em toda a rede ferroviária francesa.
Pacto de silêncio
Na maioria dos países europeus, os relatórios de acidentes ferroviários são divulgados, até para evitar que estes se repitam. Mas a CP e a Refer, entidades envolvidas neste acidente e que colaboraram no referido relatório (do qual só se conhece uma versão preliminar), recusam divulgá-lo. A Refer nem se dignou responder à CADA e a CP, num jogo do empurra, remeteu o assunto para o IMT, justificando que foi aquele instituto que coordenou a comissão de inquérito.
O pacto de silêncio entre os organismos envolvidos no acidente (todos públicos) vai mais longe: o PÚBLICO perguntou à Refer e à CP se foram seguidas as recomendações da comissão de inquérito destinadas a evitar a repetição do acidente, mas as duas empresas não responderam. Ambas, também, recusaram divulgar quais os custos do acidente, bem como o montante de indemnizações pagas.
Tecnicamente, tendo o acidente sido provocado por deficiência da infra-estrutura, competiria à Refer indemnizar os operadores (CP, CP Carga e Takargo) pelos danos materiais (só no caso da CP) e pelos atrasos e supressões de comboios na sequência do acidente, pois a Linha do Norte esteve três dias interrompida em Alfarelos para remoção dos destroços.
O acidente ocorreu às 21h15 de 21 de Janeiro, quando um Intercidades Lisboa-Porto embateu numa composição regional que estava parada à entrada da estação de Alfarelos, concelho de Soure, distrito de Coimbra. Esta última, que deveria ter parado ao sinal vermelho para entrar para uma linha desviada (a fim de ser ultrapassada pelo Intercidades), tinha “escorregado” nos carris e ultrapassado o referido sinal.
Nestas circunstâncias, a sinalização fica automaticamente accionada para interditar a aproximação dos comboios que vêm no mesmo sentido. Foi o que aconteceu. O maquinista do Intercidades deparou-se com um sinal amarelo e depois com outro, vermelho. Tentou frenar o comboio e pará-lo, mas este, simplesmente, continuou a desizar pela linha fora, apesar de o computador de bordo (Convel) ter também accionado a frenagem de emergência. Décimos de segundos antes do embate, com todos os sistemas de imobilização da composição accionados, ao maquinista não restou alternativa senão atirar-se para o chão da locomotiva, o que lhe terá salvo a vida.
in Público
sábado, 18 de janeiro de 2014
Linha do Douro - Acidente em Marco de Canaveses (16-01-2014)
A circulação de comboios na Linha do Douro esteve interrompida, no passado dia 16 de Janeiro, entre Marco de Canaveses e Juncal, devido ao descarrilamento de uma Dresine.
Pouco passava das 5 da manhã quando o veículo ferroviário embateu num monte de terra e pedras, arrastados para a via, consequência de um deslizamento.
O acidente provocou ferimentos ligeiros em 4 funcionários da REFER. A circulação ferroviária na Linha do Douro foi restabelecida ao inicio da noite do mesmo dia.
Nota 1: este blog não representa qualquer organização, empresa ou tendência ferroviária. É apenas e só um espaço de opinião.
Nota 2: as fotos que ilustram este artigo estão identificadas com o nome do autor e quando aplicável, com a referência onde foram encontradas.
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